INDICE:

Ensinança 1: A Mensagem da Renúncia
Ensinança 2: Este é o Regulamento
Ensinança 3: Reunião de Almas
Ensinança 4: O Corpo Místico
Ensinança 5: O Amor nos Votos
Ensinança 6: A Lei da Renúncia
Ensinança 7: A Religião Universal
Ensinança 8: A Fé
Ensinança 9: O Superior Frente à Alma
Ensinança 10: O Superior Guia da Alma
Ensinança 11: O Superior Como Diretor Espiritual
Ensinança 12: O Trabalho do Orador
Ensinança 13: Exposição da Ensinança
Ensinança 14: Os Bens Intrínsecos de Cafh
Ensinança 15: Tempo Dimensional e Tempo Expansivo
Ensinança 16: Transmissão da Mensagem da Renúncia



Ensinança 1: A Mensagem da Renúncia

A Renúncia é o único caminho para a salvação do mundo e não há outro caminho de salvação para a alma fora da Renúncia.
Isto não é somente um postulado doutrinário, mas a lei essencial e contingente do Universo e da humanidade.
O Filho de Cafh há de transmitir a todas as almas a Mensagem da Renúncia, porque as verdades mais simples e claras são sempre ignoradas pela humanidade.
O Filho de Cafh não transmite às almas a Mensagem da Renúncia de um determinado modo, mas fazendo-se ele mesmo um canal vivo pelo qual se transmite a Mensagem; ele mesmo é a expressão viva da Mensagem, ele mesmo é a Mensagem.
O Filho, quando ingressa em Cafh como Patrocinado, há de conhecer a Mensagem da Renúncia sem dilações. Se o Filho não é posto imediatamente em contato com a Mensagem da Renúncia, perde-se. Muitas almas se afastam do Caminho porque não são postas em contato imediato com a verdade que buscam confusamente, e pela qual foram chamadas. Deter os Filhos no começo com doutrinas atenuantes ou de transição, é frustrá-los.
O Filho Patrocinado, imediatamente há de receber e conhecer a Mensagem da Renúncia.
A Mensagem da Renúncia é dada ao Filho Patrocinado como uma Idéia, uma Idéia fundamental, irrefutável, única.
O Filho Solitário de Cafh pratica a Mensagem da Renúncia.
A Idéia, conhecida pela mente do Filho, é sentida, faz-se sentimento íntimo, profundo. Fixa-se definitivamente no coração.
O Solitário, paulatinamente, faz da Mensagem da Renúncia seu ponto de concentração e de sentir, expande-o e amplifica-o continuamente dentro de si, faz desta unidade de idéia e de sentimento, uma força que dissipa aos poucos todas as outras idéias e sentimentos. Diz-se “dissipa”, porque nenhuma idéia ou sentimento necessários à sustentação e desenvolvimento da vida, podem ser suprimidos; suprimi-los seria potencializá-los e dar-lhes uma força sobressalente sobre as demais idéias e pensamentos.
A Idéia Única da Mensagem da Renúncia translada as idéias e os sentimentos comuns e habituais a um plano superior racional emotivo, assim como já foi feito, em geral, pela alma com as impressões e sentimentos vegetativos.
O Filho Ordenado vive a Mensagem da Renúncia, ele mesmo é a Mensagem.
O Filho Ordenado que vive a Mensagem da Renúncia entre as almas que seguem uma via unilateral, necessariamente transforma seu viver em um padecimento contínuo.
Vive uma vida divina em contato com uma vida humana, e isto é necessariamente padecer. Seu padecimento se transformará em imolação porque não poderá viver a plenitude de sua vida divina até que todas as almas não sejam liberadas pela Mensagem da Renúncia. O Filho de Cafh conhece, pratica e vive a Mensagem da Renúncia; contingentemente, pelo cumprimento de seu juramento e de seus votos; unitivamente, pela oferenda e pelo holocausto.

Ensinança 2: Este é o Regulamento

A alma, ao pôr-se em contato com a Grande Corrente, fica imediatamente transformada: de ser humano se transforma em um ser divino; e, assim como um homem tem leis e normas naturais a cumprir, o ser divino, em seguida que se transforma em tal, fica submetido a leis e normas espirituais.
O Regulamento de Cafh não é então um conjunto de leis e normas impostas, mas o modo de viver espontâneo e espiritual dos Filhos. Por isso, ele começa com estas palavras: “Este é o Regulamento de Cafh”. Não diz este escrito, estas normas, estas leis, mas simplesmente “Este”, pois ele é a força motriz do Espírito, gravada no coração dos Filhos.
O modo como o Filho expressa esta lei na vida é a norma escrita que segue ao primeiro parágrafo do Regulamento.
É a voz da Divina Mãe falando ao ouvido e ao coração dos Filhos, como se houvesse condensado em Sua Ensinança todos os valores dos códigos sagrados e dos caminhos místicos, como se houvesse dado uma fórmula da Idéia Mãe, uma expressão que fosse a síntese das normas e do modo de viver dos Filhos de Cafh: a Lei Única.
Esta voz viva da Divina Mãe chega com a vocação espiritual a cada um dos Filhos e em cada um deles grava o Regulamento em seu coração. Por isso, São Paulo escreve também a seus fiéis: “Vós sois a carta de Cristo!”.
Porém, as leis naturais do homem e a razão humana continuamente lutam contra o ser espiritual, que corre assim o perigo de esquecer a Voz e a Ensinança Divinas. Por isso, foi necessário que essa Lei Divina, gravada no coração do Filho, fosse, além disso, transmitida em linguagem escrita como um sinal de recordação e confirmação.
Se assim não fosse, o Regulamento de Cafh seria também uma lei humana, difícil de sobrelevar e desligada da vontade do homem.
Todas as leis, ainda as mais pesadas, têm sentido quando sua expressão se adapta às circunstâncias do momento. Mas, através das mudanças e do tempo, elas se convertem em jugo, em duras correntes, e a luta dos homens foi sempre um esforço para romper estas correntes e adquirir sua prístina liberdade.
Isto não acontecerá com os Filhos se não humanizarem as normas divinas que receberam, isto é, se não fizerem do Regulamento algo estranho a eles, se sempre o viverem e expressarem em sua vida, como uma hábito espontâneo, como uma modalidade de seu ser íntimo, como uma irradiação da Lei Divina que mora em sua alma. Ainda quando, aparentemente custe cumprir esta lei, nunca se deverá tomá-la como um esforço imposto, mas como uma técnica espiritual, como uma disciplina ascética e única para alcançar o fim proposto.
É necessário que todas as vezes que o sonho racional faça o Filho voltar ao mundo das sombras, a voz do Regulamento se faça escutar e o encaminhe pela boa senda.
É necessário que, quando a fraqueza humana tenda a amortecer no Filho a Lei Divina depositada em sua alma, o Regulamento escrito avive sua memória. Ainda pode ser que, através do tempo, o que foi escrito na alma dos Filhos passe por épocas de obscuridade e esquecimento, e então será esta lei escrita a que fará ressurgir as almas escolhidas, a que voltará a despertá-las para que escutem a Voz Divina.
As primeiras palavras são então fundamentais: “Este é”. São expressão da essência do Regulamento de Cafh e da Idéia Mãe. São o sinal da fonte da Revelação Primeira. São o selo das almas. São o incentivo da vida, presságio de um triunfo espiritual seguro.
Estas palavras dizem ao Filho que este escrito há de desaparecer para ele, porque ficará escrito em sua alma permanentemente.
O Regulamento, por um dom de graça adquirida, pelo esforço místico da Lei Divina feita realidade, manifestar-se-á no Filho, viverá no Filho: o Regulamento e o Filho serão uma só coisa.

Ensinança 3: Reunião de Almas

Os homens, para poderem conviver entre si, necessitam de uma participação recíproca de feitos e de hábitos.
Estes feitos e hábitos são a origem e o resultado, ao mesmo tempo, dos laços de sangue, das obrigações comuns, das sucessivas leis, da adaptação ambiental, da eficiência do trabalho e da estabilidade de residência.
Estes feitos e hábitos, pelas circunstâncias e necessidades, obrigam o homem a viver e a estar comprometido com os outros homens, dão-lhe ao mesmo tempo o privilégio de intercambiar e de se beneficiar.
Mas esta união de homens, sujeita à sucessão de fatos e à relação de hábitos, é temporária, não perdura; está sujeita às mudanças, às alternativas, às separações e à dor.
Os Filhos de Cafh, ao porem-se em contato entre si, transformam a união de homens em união de almas.
Diz-se “união de almas”, porque os Filhos não se comunicam entre si por laços humanos, por feitos ou hábitos comuns, mas só por uma semelhança anímica de aspirações comuns, expansiva, para o eterno, o infinito.
Esta semelhança anímica expansiva gera não uma força humana, senão uma força sobrenatural, espiritual, divina.
Por isso, a reunião de homens é uma força humana com resultados transitórios, enquanto a reunião de almas é uma força divina com resultados permanentes.
A reunião de almas de Cafh, então, ao não ser humana, mas divina, tem o bem supremo da perdurabilidade. Permanece através de todos os acontecimentos, de todas as distâncias, de todas as mudanças, de todos os tempos.
Os Filhos de Cafh, por esta divina reunião afirmada e consagrada pelos votos e pelo juramento, ficam fisica, mental e espiritualmente unidos entre si; não há poder capaz de separá-los.
Quando os Filhos não estão reunidos, a força de sua união traça caminhos magnéticos no espaço que os reúne continuamente por mais distantes e afastados que se encontrem, pois um só é o Caminho dos Filhos de Cafh. Ainda que eles não se conheçam, a voz de todos se une em uma conversa sobrenatural para proclamar a Ensinança. A imagem de um é a imagem de todos, pois todos se identificam no Corpo Místico de Cafh com seus Corpos de Fogo.
Esta reunião de almas é única na Terra porque amalgama os Filhos entre si, forte, divina e sobrenaturalmente; estes, ao participarem da Grande Obra, que não tem ponto de apoio exterior e humano algum não podem sofrer dispersão de energias, já que esta flui sobre o mundo unicamente através do Poder da Grande Corrente.
O único sinal de reconhecimento exterior que têm as almas de Cafh é o suave vínculo da amizade.
A amizade é o reflexo do que é a união das almas no íntimo; já que a amizade faz com que os seres se unam e se amem pela simples razão de que se sintam inclinados a isso e por nenhuma outra causa.
A amizade dos Filhos é uma participação de virtudes comuns, é uma expressão de dotes morais semelhantes, é um conhecimento recíproco e amoroso de todos os conhecimentos da Ensinança. É um incentivo para refletir entre si a própria capacidade anímica expansiva.
A amizade dos Filhos faz deles, centros potenciais semelhantes, Corpos de Fogo resplandecentes, canais vivos que não reduzem nem limitam a humanidade, senão que manam abundante poder de realização sobre ela.
Os Filhos de Cafh que passaram ao mais além permanecem ainda vivos entre os Filhos da Terra. Sua vivência é permanente nas Távolas pela recordação e pela eficiência de conhecimentos e de amor.
Estes Filhos das Távolas astrais vivem aqui, por sua própria força espiritual, através de suas obras, de seus trabalhos, de suas ensinanças e de seus esforços.
A reunião de almas de Cafh é então tão excelente e extraordinária que transcende todos os limites, penetra nos rincões mais afastados do mundo, entra na alma de todos os seres.
É uma vibração posta em movimento que há de mudar a face do mundo.

Ensinança 4: O Corpo Místico

Cafh é essencialmente divino; em si, é não determinado. Por isso, sua manifestação através do Corpo Místico é integral.
Cafh é idéia simples que se multiplica por reversibilidade, expande-se por participação e determina-se como manifestação de presença.
O Corpo Místico de Cafh revela sua potência divina.
O potencial divino de Cafh não é um potencial determinado porque o Corpo Místico de Cafh não é determinado. Se o Corpo Místico de Cafh se determina é por reversibilidade. Cafh não faz, Cafh plasma.
Nesse sentido Cafh como atividade humana, não é a materialização de uma idéia, que é sempre a morte de uma idéia, mas o fermento, a plasmação da Idéia, que é a vida da Idéia, porque é reversibilidade.
Uma idéia feita algo, desaparece como potência. Uma idéia, quando se plasma, permanece e sua potência é sempre divina no sentido de que se projeta e morre para dar possibilidade a outra idéia-vida.
Cafh, como potência divina, não se opõe a uma atividade humana. Cafh, como atividade humana, não reduz a Idéia Divina.
Cafh como Corpo Místico é Ired, Renúncia, vida: Vida Divina que é atividade em si, força criadora, potência infinita.
Cafh não é somente uma Idéia, uma força, um sentimento ou uma organização. Cafh é; por isso, não tem um corpo, mas um Corpo Místico.
O corpo espiritual, mental, e magnético de Cafh formam o Corpo Místico de Cafh.
O Corpo Espiritual de Cafh é: Idéia Simples.
A Idéia de Cafh não é uma idéia nova, nem uma doutrina, nem uma peculiar forma do pensamento. A Idéia de Cafh é Idéia Simples.
A Idéia Simples não pertence a um campo mental determinado. Em realidade, não tem localização nem atributos: o simples exclui toda polaridade característica. Por isso, Cafh, como Idéia, não é algo possível de captar ou compreender, mas somente se pode realizar como integração a Cafh, como estado de consciência em si.
A realização da Idéia de Cafh não é a identificação com uma idéia, mas Iluminação Espiritual. A Iluminação Espiritual não é uma compreensão nem ainda uma compreensão transcendente. A Iluminação Espiritual é uma integração de valores em um elemento simples; a redução do composto à unidade.
A União Divina não é união propriamente dita, é desaparição de toda dualidade. A União Divina não pode ter atributos: é a desaparição da unidade, na simplicidade.
A Renúncia é União Divina porque é o estado negativo, simples.
Por isso a Idéia de Cafh é Renúncia.
O ato puro é o ato divino, o ato em si; é o elemento de todo ato, de toda plasmação, de toda realização. É em si, realização.
O Filho participa da Divindade através do Ato Puro.
O Filho se simplifica pela Renúncia até transformar-se em um ato potencial gerador. Ele já não é um reflexo da Divindade, mas a própria Divindade.
O estado simples da alma não é comumente compreendido pelos Filhos. Eles assimilam a Renúncia às renúncias contingentes e crêem que a simplicidade é o ponto final de uma trajetória. A trajetória existe em todos os atos, menos na Renúncia. A aparente trajetória das renúncias contingentes não é a Renúncia, senão predisposição à Renúncia que não é movimento, mas permanência estática. No entanto, essa permanência se manifesta através de etapas e conquistas definidas.
A Idéia Simples contém em si a potência de sua plasmação integral. Possui-a porque, por ser simples, é reversibilidade, É.
A união com a Idéia Simples não é identificação com um aspecto de sua plasmação, o mais elevado, senão com ela mesma através da integralidade de seu estado consumado.
Não é possível a identificação com a Idéia Simples em si, senão através de um estado de similitude que nunca pode ser simples em si, já que é parte do composto. Porém, pode-se unir a ela por reversibilidade, por identificação com seu estado integral consumado.
A identificação total com o Eterno não é deste mundo, mas sim o é a união com Ele por reversibilidade, por Renúncia.
A União Divina, se bem que seja um estado estático, por ser reversível, plasma-se em estados de holocausto, entrega, oferenda; é Renúncia permanente. Não é assim no sentido comum dos termos, senão um estado espontâneo e simples. Pela Renúncia permanente, chega-se à União Divina através da entrega: a Divina Mãe se dá ao Filho e o Filho se dá à Divina Mãe.
Uma idéia não se plasma; uma idéia é a plasmação da Idéia.
A Idéia é Luz; uma idéia, como plasmação, não o é; no máximo é reflexo.
A plasmação da Idéia é força de realização que se determina em ato.
A Idéia é ato puro; a plasmação da Idéia é um ato que morre criando a Idéia.
A plasmação da Idéia estabelece uma linha, uma ordem, uma trajetória...: uma organização.
A força de Cafh não é uma força humana. Não é o resultado de um movimento ou de um pensamento. Tampouco é o resultado da capacidade ou do esforço do homem.
Por mais elevado que sejam o fim e as forças postas em um objetivo, o homem não pode criar uma força sobrenatural. Mas pode fazer que o sobrenatural venha a ele. Mas isso não encadeia o sobrenatural a um homem, a um grupo ou a uma organização.
A força de Cafh é sobrenatural porque é resultado da Renúncia.
Os Filhos nunca podem desvirtuar ou transformar a força de Cafh; podem participar dela ou não. O Filho não pode nunca desvirtuar Cafh, mas pode desvirtuar Cafh nele.
O Filho por sua Renúncia participa da Idéia; ele, como elemento simples, é a força e a Idéia. Mas se os Filhos têm em Cafh outro apoio além da Renúncia, participam de Cafh só humanamente, e são uma idéia e contam com uma força. E essa idéia e essa força não são suficientes para manter os Filhos integralmente na ideação de Cafh; participam de um Corpo Místico não integral. Não porque este não possa ter força e elemento espiritual, senão porque estes já não serão espirituais em si, mas expressão humana de um anelo espiritual.
Cafh É, mas o Filho pode não ser Cafh.
A única condição de plasmação da Idéia em uma força é a Renúncia. É a Renúncia porque é o único meio efetivo que o ser tem para participar divinamente.
A Idéia em si É; mas sua plasmação obedece a um movimento. Este movimento não é um movimento direcional, mas um movimento em si, o movimento simples.
Para poder participar desse movimento simples é necessário assemelhar-se totalmente a ele, e essa semelhança se obtém pela Renúncia.
O Filho participa desse ritmo divino unicamente através da Renúncia, que é União Substancial com a Divina Mãe. Ele nunca pode pensar que tem outra base para sua vida espiritual. Se os Filhos apoiarem sua vida espiritual em uma base que não seja totalmente sobrenatural, formarão só um corpo natural, com características humanas, limitado no tempo e sujeito ao ciclo das coisas humanas.
Onde há plasmação faz falta luz para não perder a participação integral à Idéia. O movimento descendente deve ser sempre ascendente; senão, deixa de ser Ired para fazer-se um movimento com um potencial determinado, com um alcance e nada mais. Por isso, é necessário luz-treva para não materializar a Idéia, mas plasmá-la.
Cafh não é Cafh, mas uma expressão de Cafh.
A força de Cafh não está em ser algo, mas em ser plasmação. Porém, ali onde há plasmação, há separação aparente.
A realidade objetiva não é o conjunto, mas a parte grosseira do conjunto.
O necessário então, para a manutenção da pureza da Idéia, é a permanência no espiritual da idéia, já que a base da qual se parte é seu aspecto material.
A Obra de Cafh é somente espiritual, como ato puro, como Ired. Por isso, manifesta-se no mundo. Manifesta-se como obra nas almas e como obra através das almas. E essa obra particularizada volta a remontar-se até o simples e divino por participação ao Corpo Espiritual, que é Iluminação Espiritual.
Este movimento aparente, que é fonte de todo movimento e vida, dá como possibilidade às almas de Cafh a União Substancial com a Divina Mãe e, ao mesmo tempo, faz das obras dos Filhos, plasmação da Idéia de Cafh, que é sempre divina e universal. Os Filhos fazem assim, através de seu esforço e entrega, uma obra divina no mundo.
Os Filhos que não compreendem a ideação divina de Cafh perdem seu tempo e não participam integralmente do Corpo Místico. Sempre crêem que seu trabalho, sua idéia e obra pessoal é a Obra quando, em realidade, eles deixam assim de participar da Grande Obra limitando suas possibilidades divinas a um campo humano que sempre leva ao fracasso.
Para o Filho, não há outra Obra senão sua integração total a Cafh, que é uma entrega absoluta de seu ser, suas possibilidades e seus esforços a Cafh. Mas, ao mesmo tempo, essa Renúncia diviniza a entrega do Filho, multiplicando divinamente essas possibilidades e outorgando-lhe o dom de uma participação substancial da Integridade da Grande Obra.
Todas as almas participam da Ideação Divina e todas chegarão à liberação final. Mas, cada alma determina, segundo seu esforço, sua participação atual na Grande Obra.
Os valores individuais separados não participam do Corpo Místico de Cafh.
A Obra sempre é feita por participação, que é desaparição pela Renúncia na própria Obra. Um valor independente exclui toda participação e, não somente não participa, mas se opõe à Obra como ponto irredutível de personalidade. Uma personalidade é o ponto de precipitação dos valores humanos separados que se opõem sempre ao movimento expansivo de participação.
A verdadeira entrega não é o esforço pessoal para conseguir um bem determinado, mas o esforço impessoal de renúncia integrado pelo amor a uma obra comum.
As almas participam do Corpo Místico de Cafh de acordo com essa unidade de entrega. Essa entrega, se for integral, é liberação; porque onde há holocausto, há União Divina.
Essa capacidade de entrega está determinada por uma predisposição natural do ser ou depende de um esforço volitivo?
O ser, ainda com lutas e esforços, chega facilmente até um ponto, mas para transcendê-lo faz falta um esforço e renúncia não comuns. São contados os que o conseguem; no entanto, isso não nega o livre arbítrio, mas o comprova.
A possibilidade de variar a intensidade de um esforço ou de escolher é uma visão muito pobre do arbítrio. Essa pequeníssima margem de liberdade, dentro de uma trajetória fixa, não pode ser entendida como liberdade, ainda que seja dentro de seu círculo.
O verdadeiro livre arbítrio é o que pode romper o limite de determinadas possibilidades para fazer-se dono de outra ordem de possibilidades.
O homem luta para conquistar um arbítrio que não é tal e se estilhaça contra suas próprias e reais possibilidades. Somente aquele que salta por cima de suas possibilidades contingentes realiza as possibilidades reais. Não obstante, a grande maioria entende por liberação a realização das possibilidades contingentes.
Por certo que o salto sobre as possibilidades contingentes não significa a realização absoluta, já que, nesse caso, as possibilidades se tornam contingentes; mas se consegue a permanência na Renúncia a linha não se interrompe até o final. Então, é expansão infinita que ultrapassa o real e o contingente: a participação é reversibilidade e a reversibilidade, perfeita Renúncia: a reta é curva, a curva, círculo e o círculo, cruz.
O desejo de entrega produz uma potencialização interior. Essa força, multiplicada pela persistência do desejo, ao não ser transmutada em força espiritual pura, por um estado negativo de Renúncia, cria como que uma necessidade de ação: fazer algo, fazer “o bem”.
A ação sempre existe, mas esta ação buscada não é mais que o gasto inútil de um potencial que, sustentado pela permanência, haveria alcançado uma expansão não determinada.
É evidente que o ato interior de entrega, se for divino, não pode traduzir-se em uma atitude dada. O estado interior negativo, por ser completamente oposto aos estados positivos de ação-gasto, não oferece ponto de apoio algum.
Por isso, a Renúncia não pode ser compreendida senão por similitude, e os Filhos, se bem que participem de Cafh, nem sempre participam compreensivamente de sua Ideação Divina, que é Renúncia.

Ensinança 5: O Amor nos Votos

O que determina a vida espiritual do Filho é o momento de seu ingresso em Cafh.
Nesse momento, é necessário um exame retrospectivo para que a alma compreenda como, ainda estando às cegas, foi levada por seu destino ao caminho espiritual.
Quanto maior for a intervenção divina na vocação do Filho, tanto maior será sua aparente inatividade, na primeira entrega.
Sentimentos desconhecidos embargam a alma do Filho ao pôr-se em contato com o Caminho: só sobressai um sentimento confuso e obscuro de grande responsabilidade, e a responsabilidade dá o amor.
Somente o amor conta. O amor é o princípio e o fim do Caminho.
O ingresso do Filho em Cafh determina então todo o seu destino futuro; e sua entrega confusa e obscura é, não obstante, o nexo de toda responsabilidade e dos compromissos ulteriores que lhe serão dados.
Como ninguém conhece os predestinados para Cafh, o afã de todos os Filhos há de ser aquele de chamar todas as almas ao caminho espiritual. A única orientação do Filho para a conquista da alma é o amor que há de ser nele como um fogo que se projeta sobre todas as almas e que se manifesta como desejo imenso de ver todas as almas na senda da Divina Mãe.
Este desejo comunica ao Filho o dom de uma palavra viva para a conquista das almas, fazendo-se um exemplo vivo aos olhos delas, e buscando-as continuamente.
O Voto de Silêncio é a lógica conseqüência do amor do Filho à Divina Mãe. O Filho, posto em contato com Cafh, descobre o amor na imagem da Divina Mãe, e aquele que ama somente deseja o objeto amado e estreita um laço de intimidade e de silêncio entre a alma e a Divindade.
O amor da Divina Mãe afasta o Filho de tudo. Fecha seus olhos porque só quer ver a imagem querida. Torna-o calado, reservado, amante da oração íntima, da vida interior, que é o tesouro do Voto de Silêncio.
O Voto de Silêncio não é então uma imposição, mas uma necessidade ascético-mística da alma. O silêncio acostumará a alma a ser casta, recatada, imaterial, por amor à Divina Mãe e sobretudo lhe dará capacidade para escutar a voz divina, para receber as ensinanças interiores e diretas, que nenhuma voz humana pode pronunciar.
O amor aos Votos é forte como a morte. Por isso, o Voto de Fidelidade é uma necessidade da alma consagrada. O homem muda continuamente e nunca pode permanecer em uma mesma atitude. Nenhum ato humano é constante. Só o amor à Divina Mãe pode dar à alma fidelidade, fazê-la digna do Voto de Fidelidade. Só a fidelidade divina é digna desse nome e o faz fiel até a morte.
O amor humano, pela fidelidade, faz-se divino. O amor fiel é íntegro, total, sem reservas.
O amor fiel faz o Filho observante, cumpridor, atento. Ele é uma manifestação de seu Voto de Fidelidade. Ele é a Fidelidade.
O amor fiel faz o Filho cuidadoso de seus sentimentos, vigia atentamente seu interior e seu modo de pensar.
O amor fiel faz o Filho participante da doutrina fundamental de Cafh. Como poderia um Filho ser fiel à Divina Mãe se não participasse de seu modo de pensar?
O amor fiel é expressão íntegra da doutrina de Cafh, à qual, por sua espontânea adesão, prometeu fidelidade.
O Filho foi levado pela fidelidade ao Voto de Obediência.
O Voto de Obediência é essencialmente um ato de amor místico e espiritual.
Um trecho do caminho espiritual pode ser percorrido pelo esforço e pela vontade do Filho, mas quando ele chega a certa altura, onde as rotas já não são humanamente traçadas, é necessário então que o Filho abandone sua vontade e se entregue nos braços divinos.
A alma não chegará à meta sem um Mestre que lhe estenda a mão, que a guie em seus altos destinos.
A Divina Mãe é a rota final do Filho. É necessário lançar-se em seus braços para chegar. Esta submissão amorosa à Divina Mãe é ideal para o Voto de Obediência, para seu cumprimento, para fazer o Filho inteiramente submisso a seus Superiores.
O Filho há de ver no Superior unicamente a Divina Mãe.
A obediência prestada ao Superior como homem é um cativeiro. Mas a obediência prestada ao Superior como imagem da Divina Mãe é submissão de amor, fonte de compreensão e de felicidade.
A obediência humana é lenta, pesada, difícil. A obediência divina é pronta, sincera, sem reservas.
A obediência perfeita leva a alma ao Voto de Renúncia. O Voto de Renúncia é entrega de amor. A alma, como vai descobrindo os tesouros do amor, necessita afastar todos os contrários, não quer que nada nem ninguém a afaste de seu bem.
O amor que se entrega totalmente é uma expressão além de toda possibilidade mental, e atua só nas esferas sobrenaturais e divinas.
O renunciamento segue estas etapas místicas: renúncia de gostos e prazeres, renúncia de posição, afinidades, consangüinidade e amizades, renúncia de vida. O Voto de Renúncia é amor sobrenatural.
Os Votos não são somente um ato que faz os Filhos aptos para Cafh, mas são sobretudo, o modo e o resultado do amor e não há outro meio para conseguir o amor sobrenatural, senão o dos Votos que são o meio de viver, sentir e expressar a vida divina.
Os votos são o alimento vivo que une permanentemente o Filho à Divina Mãe.
Os votos são o Caminho. Os votos são a própria Divina Mãe.
O Filho, por seus votos, alcança um estado de amor permanente e unitivo com a Divina Mãe.

Ensinança 6: A Lei da Renúncia

Os Filhos de Cafh deverão ser obedientes às leis vigentes no país ao qual pertencem ou que os hospeda.
Há aqueles que opinam que só há que obedecer a leis justas e opor-se a outras que são más para os povos.
A missão de Cafh sobre a Terra não é a de julgar ou determinar quais leis são boas e quais são más, pois no Plano Divino estão dispostas quais são as organizações que hão de determinar sobre este ponto. Mas como nenhum ser humano pode prescindir das responsabilidades que como tal lhe cabem dentro da sociedade e, como seria irresponsável se se afastasse dos problemas dos povos, é necessário expor em qual doutrina se baseia este mandato de obediência às leis.
Cafh proclama que nenhuma lei pode ser sempre boa e ter resultados eficientes se não se baseia sobre a Renúncia e que, partindo deste postulado fundamental, todas as leis seriam conseqüentemente boas.
As leis são sempre humanas; boas hoje, não boas amanhã; sujeitas a infinidade de mudanças e circunstâncias; aplicadas segundo o critério dos homens que as proclamam e as controlam; enquanto que a Renúncia é uma lei única, universal, invariável. E como a Renúncia é uma lei única, divina, expressão da Idéia Mãe da Raça Ária sobre a Terra, foi proclamada pelos Grandes Iniciados de todos os tempos.
O desejo de posse, o temor de perder os bens e a vida, a avareza acumulativa dos homens os afastou desta lei única, fonte de toda felicidade e fez necessária a imposição de leis e mais leis para conter estes males.
Mas se o ser cumpre com a Lei Divina da Renúncia, as leis humanas se fazem fáceis e toleráveis para ele e as revoga quando já não são úteis e boas, somente pela força de sua conduta e resistência moral.
O Filho de Cafh há de ser obediente às leis porque, antes de serem um obstáculo, elas constituem uma contribuição para realizar a lei única da Renúncia. Ainda submetendo-se a leis injustas, com o renunciamento à própria vontade, fixa-se o vencimento dessa mesma lei.
Todos os Grandes Iniciados proclamaram e praticaram esta Lei Eterna, e a manifestaram no mundo com a submissão e o renunciamento.
O programa político de “não resistência” de Gandhi é uma mensagem de sempre.
São Francisco encontra a perfeita felicidade ao desposar a Madona Povertá.
Jesus predica o renunciamento como Lei Suprema: “Aquele que quiser seguir-me, que deixe todas as coisas e venha” e, não somente todas as coisas, mas ainda a si mesmo, sua própria alma. “Aquele que quiser salvar sua alma, perdê-la-á, e aquele que a perder, viverá eternamente.”
Buda predica o renunciamento como único meio de fraternidade entre todas as classes sociais, e alcança a paz e a felicidade.
A Lei de Renúncia, ao basear-se sobre o desprendimento dos próprios valores, não é uma lei exterior, mas uma lei interior. Ao ser um ato negativo da vontade sensorial e intelectual, faz com que o ser morra à vida atual exterior: ao modo de atuar, de sentir, de pensar. Cumpre com todas essas funções objetivamente, sem identificar-se com o pensado, experimentado, feito. Ele, ao deixar de fazer, transforma-se em Ser, em testemunha simples de si mesmo.
Seus valores negativos, pelo ato de Renúncia constante, que não é não fazer, senão fazer sem se apegar ao feito, transladam o homem a um estado infinitamente superior: estado de supersentir, superatuar, superpensar, com resultados insuspeitáveis. Ainda Cristo o diz: “Vós que haveis deixado tudo por mim, recebereis o cêntuplo e, além disso, a vida eterna”.
O poder destes seres que praticam a lei interior de Renúncia é imenso, mas seria imperfeito se fosse o bem de uns poucos somente.
Este bem tem que estar ao alcance de todos os homens, não pode haver felicidade perfeita se um só ser não participa da mesma.
É necessário que o Filho de Renúncia cumpra todas as leis dos homens, junto com todos os homens para que sua participação submissa o una a todos eles e os ponha em contato com sua vibração e sentir interior. Esta participação há de ensinar aos homens que não é com revoluções, guerras, mudanças de leis que se consegue a felicidade dos povos, mas só participando com a Lei Única e Divina da Renúncia.

Ensinança 7: A Religião Universal

Cafh, ao indicar a seus Filhos que deverão ser respeitosos com a religião de seu país, nem quer dizer que os Filhos devam abandonar sua própria religião de origem para abraçar a vigente no país nem que, em determinadas ocasiões, não se avenham à controvérsia em matéria de religião quando esta se realize com conhecimentos de textos e causas.
Além disso, Cafh, mística e transcendentalmente, reconhece o valor e a unidade fundamental de todas as religiões. Por isso, se bem que o Filho possa originariamente ter outra religião, espontaneamente sente a maior deferência e respeito pela religião ou as religiões professadas pelo povo com o qual convive.
O que não é admissível no Filho é a troca de uma religião por outra.
Quando o ser passa de uma religião a outra é porque sua alma necessita de outra experiência espiritual; é porque crê que nesse outro credo encontrará sua realização. Essa troca deve ser considerada só como um passo na evolução espiritual.
Se o Filho de Cafh crê na unidade fundamental de todas as religiões, se crê que as Revelações das Grandes Religiões emanam conjuntamente da Revelação Única da Idéia Mãe da Raça Ária, se crê que as Grandes Tradições dos diversos credos são a transmissão continuada da Revelação, de acordo com a necessidade e a idiossincrasia dos diversos povos que as acataram, não pode trocar de religião.
Se o Filho desejasse efetuar uma troca de religião por uma aspiração interior e um desejo de maior adiantamento espiritual, isso significaria que não encontrou em Cafh o que em buscava em suas aspirações espirituais e, antes de efetuar essa troca, deveria abandonar o caminho de Cafh.
Este haveria sido para ele uma religião a mais e não a idéia e a realização transcendente da Religião Universal.
Cuidem os Filhos de não confundir este conceito de Religião Universal.
Geralmente se crê que, quando se fala desta Religião Universal, esta seja um novo credo que surgirá no futuro, abolindo todas as demais religiões. Assim entendida, seria uma religião a mais e não a Religião Universal.
Há que admitir que uma nova religião está sendo gestada no mundo. Uma religião, fruto do dinamismo mental e da reestruturação de valores dimensionais que nesta época se perfilam no mundo.
Será uma grande e valiosa religião, mas não a Religião Universal.
A Religião Universal não se funda nem começa, mas emana e flui constantemente da Idéia Mãe da Raça Ária e, quando for instaurada sobre a Terra, não será porque comece, mas porque todos os homens compreenderão e reconhecerão o que sempre esteve ao seu alcance.
Todas as Grandes Religiões existentes dizem que elas são únicas e universais, e que hão de reinar sobre todos os homens, mas não é assim, estão proporcionalmente divididas entre os homens.
É que realmente todas elas manam da Religião Universal, adaptadas aos povos, tempos e circunstâncias.
Aquele que cumpre, com toda fidelidade e reta intenção, os preceitos de sua religião, põe-se invariavelmente em contato com a Verdade Única, transcendente, universal.
Cafh não é nem uma nova religião nem o fermento que poderia produzi-la, já que em tal caso não seria senão uma a mais entre as já existentes. É sim, uma aspiração pura e livre da alma ao reconhecimento da verdade transcendente, da Religião Universal.
É por isso que o Filho de Cafh não necessita trocar de religião; porém, ao mesmo tempo, é profundamente respeitoso e simpatizante da religião ou das religiões do país onde habita.

Ensinança 8: A Fé

O Filho baseia seus estados místicos a realizar sobre a fé, por isso a fé é o suporte da vida espiritual.
O destino pôs frente à alma um ideal espiritual e este é real, mas desconhecido, e a alma o abraça às cegas e adere a ele com todas as suas forças, sempre em um ato puro de fé.
O Filho, apoiado na fé, penetra em seu mundo interior e levanta ali seu tabernáculo secreto e a ele se dedica com todo seu amor; as experiências íntimas, os resultados contingentes o confirmam cada vez mais em seu ideal e, o que foi encontrado através da fé, robustece sua fé.
Muitas almas santas preenchem toda sua vida com este trabalho admirável, no entanto, elas não alcançaram seu fim porque somente fizeram uma parte do trabalho interior espiritual.
Elas somente foram tecendo ao redor do ideal da fé, não da fé em si.
Esta providência divina não provocou nelas uma crise definitiva que as levasse do ideal da fé, à fé. Seguramente porque elas não teriam a força para suportá-la, ou simplesmente porque isto era seu destino e só lhe seria revelada a verdade em outras etapas de vida ou em outros planos.
A alma do Filho que avança no caminho espiritual não pode, entretanto, conformar-se com os ideais interiores da fé e, ao necessitar possuir a fé em toda sua grandeza e potência, há de passar por crises interiores terríveis sobre a fé. Este é o preço.
Parece uma contradição que uma alma que vive de fé tenha problemas, contradições e dúvidas sobre a fé, mas é destino da alma espiritual passar de um estado de conhecimento ideal de eternidade, a um estado real de conhecimento de fé. Somente através da obscuridade mais absoluta, passa-se do ideal à realidade.
A alma do Filho que passa por estas grandes crises interiores está destinada ao triunfo e à posse da fé em si, mas é necessário que ele esteja bem cimentado na virtude e bem dirigido espiritualmente, já que a alma é posta aqui a tal prova, que ganha ou perde.
Muitas almas virtuosas são duras em julgar os caídos e os renegados, mas não devem esquecer que a prova da fé é tão grande que somente os muito fortes e temperados podem suportá-la.
O Filho tranqüilo e seguro no Tabernáculo Secreto de seu Templo de Ouro interior trabalha toda sua vida para firmar ali divinamente seu ideal; porque, quando o inimigo entra ali e destrói tudo, o que fica para a alma?
As almas que levantaram templos a Deus e a seus enviados, que abraçaram o dogma de uma igreja, que crêem cegamente em uma filosofia, como poderão seguir crendo quando suas crenças se lhe apresentam ao vivo, desnudas, como insubstanciais?
Por isso, muitas almas caem frente à prova interior da fé e o mundo está cheio de infelizes que perderam a possibilidade de sua realização espiritual, porque não puderam passar da figura e da idéia ao estado de eternidade.
Ninguém possui a fé em realidade. Todas as verdades reveladas e suas derivações são baluartes e derivações da fé, mas não da fé em si que é um bem exclusivo da alma, e que esta alcança no mais profundo de sua intimidade, sem véu e sem testemunhas, quando haja renunciado ainda aos ideais da fé.
A amada imortal só aparece à alma depois que esta encontrou o templo vazio e o tabernáculo abandonado e ainda, perdido o Corpo Místico de Nossa Senhora.
Quase sempre as crises interiores se produzem aparentemente por um fato exterior. É como se o mundo e a carne empreendessem desde fora seu assalto definitivo para penetrar no santuário interior do Filho e destruí-lo completamente. Mas o Filho há de estar seguro de que este ataque só pode alcançar os ideais da fé, nunca a fé em si.
Quantas vezes se ouvem palavras como estas: perdi a fé. O Deus adorado se converteu em um velho ídolo gasto; o dogma, que era o sustento, perdeu seu poder de graça frente às evidências da ciência; o sistema filosófico deixou a descoberto sua gasta dialética baseada sobre axiomas não seguros.
Muitas almas não podem chegar tão a fundo e refazer-se frente a estas aparentes desilusões, por isso renunciam ao combate. O apego aos velhos hábitos de fé lhes tira a possibilidade de alcançar a fé.
A alma do Filho forte enfrenta a crise, tem uma arma poderosa em suas mãos que adquiriu desde seus anos de prova e experiência espiritual. Esta arma é sua capacidade de renúncia. O Filho, com a renúncia, consegue a vitória.
O ideal da fé persiste na alma até que esta permaneça tranqüila e serena, mas em seguida que um pequeno estímulo a põe em contato com o exterior, este ideal é posto à prova. A alma passa de altos vôos a quedas que a submergem na dúvida e a melancolia. Mas a alma que possui a fé faz-se forte, inquebrantável, segura conhece-se a si mesma, ela é a fé. A fé é ela mesma.
A fé é um bem inerente à alma que está sempre presente ainda quando tudo passa e se perde porque é o poder vivo da Divindade no homem. Quando se limita é ideal de fé, segurança de credo, razoamento analítico. Quando é ilimitado é fé em si, fé obscura, intuição desconhecida, afirmação do irracional e do negativo.
Quem ou o quê poderá desenraizar a fé da alma se ela a possui? Poderão falir todos os credos, decair todas as escolas, morrer todos os mestres, mas a fé permanecerá na alma como a pele adere à carne.
O Filho, pela renúncia, possui a fé em si. A fé em si é a essência e a potência da alma. Da alma consagrada.

Ensinança 9: O Superior Frente à Alma

O Superior não poderá desenvolver um verdadeiro trabalho espiritual na alma do Filho se não conhece as suas aspirações íntimas.
Desde um princípio ele há de saber quais são os pensamentos íntimos e os sentimentos secretos da alma.
O Superior começa a conhecer a intimidade da alma através do conhecimento da vida do Filho no mundo. É necessário deixar que a conversa do Filho seja espontânea e livre para que a alma se abra pouco a pouco.
Para o conhecimento da alma do Filho, o Superior há de conhecer sua formação familiar. Ele terá que se inteirar sobre quem são seus pais e seus familiares, a condição social em que se desenvolve seu meio familiar e, sobretudo, tratar de obter o resultado anímico da alma, conseguido através de sua convivência com a família.
O Superior sempre se encontrará frente a casos diferentes: ou o filho centro de atração ou o filho rejeitado; o filho desejado ou o filho indesejado. Estes estados desarmônicos paternos trazem complexos na alma das crianças que sempre vão se desenvolvendo com os anos e adquirindo às vezes proporções alarmantes.
As demasiadas facilidades de vida acarretam nas crianças um estado de ânimo de segurança desmedida que os impulsionará à vaidade, à soberba e à inatividade, por temor ao fracasso.
Enquanto os filhos incompreendidos desenvolverão um estado de ânimo de incapacidade interior que os faz tímidos, esquivos e desconfiados.
Os maiores êxitos anímicos sempre serão notados naqueles homens que, em crianças, não foram demasiadamente cuidados nem tampouco foram açoitados pelo destino.
O Superior há de conhecer a formação escolar do Filho. Há de estudar bem os complexos derivados da idade em que o Filho plasmou sua educação nos estudos primários. Os extremos são sempre: ou o aluno que sobressai ou o aluno incapaz. Tais extremos conduzem a formar no primeiro o sentido de responsabilidade com a nota alta e isto conduz a que se encerre na posição equívoca de não poder prescindir do triunfo contínuo.
É assim como muitas destas crianças, ao se enfrentarem com os estudos superiores e ao terem o menor contratempo, caem na derrota e na inibição, pois lhes falta a força necessária para se enfrentarem com a realidade.
Assim, a criança que não demonstra aptidão para o estudo é às vezes pela indiscreta palavra de um professor, arrastado ao complexo de inferioridade. Forma-se nela um estado mental de incapacidade que a inibe constantemente e não deixa que desenvolva espontaneamente suas faculdades normais.
O Superior há de conhecer também a formação social do Filho. Ele há de procurar conhecer os detalhes circunstanciais com os quais o Filho se enfrentou na vida. O adolescente é posto frente à vida de um modo falso, prematuro ou violento, fazendo que se forme em sua alma uma visão equivocada do desenrolar da vida, sobretudo no aspecto sexual.
Às vezes, estas almas que haviam preenchido sua mente com fantasias, ilusões e mundos de fadas, recebem um choque violento frente às fealdades naturais que podem prejudicar todo seu desenvolvimento sentimental.
Por isso, o Superior há de conhecer estas primeiras reações da alma se quiser, desimpedi-la de travas, solucionar seus problemas e fazer com que volte a encontrar a felicidade e a paz através do caminho espiritual.
Quando se começa a tratar com as almas, estas respondem mais ou menos às perguntas do Superior: como se chamam, quem são, em quê se ocupam, etc. Mas todas estas perguntas somente revelam o eu pessoal e exterior com o qual a alma se cobriu, buscando nele uma carapaça com a qual proteger-se do mundo.
Este eu exterior não é mais que o produto de tudo o que se quer esconder e de tudo o que não se quer dizer.
A missão extraordinária e primeira do Superior é a de ensinar às almas o exame retrospectivo que tem como finalidade, não somente o exercício em si, senão o hábito espiritual - que se consegue, pela prática do exercício - de introduzir-se sem perigos em si, reconhecendo seus problemas e conhecendo seu eu interior.
Uma vez que o Superior tenha conseguido que o Filho se dê conta de que chegou à sua casa, à Casa do Amor, o próprio Filho por si só se despojará de sua personalidade exterior e conseguirá reconhecer a parte profunda de seu coração. Já não temerá ver-se tal qual é e ao se olhar bem, poderá romper o círculo limitado que o freia e que o diminui em suas possibilidades.
Naturalmente, a alma em um princípio resistirá em mostrar sua intimidade a seu Superior; por isso, há que deixá-la, para que por si só experimente o gozo interior de seu reconhecimento.
Podem-se passar alguns meses nesse trabalho, mas este primeiro gozo, alcançado por si só, ao reconhecer-se, trará a confissão sincera, a necessidade de comunicar-se, de confessar-se, de confiar-se a seu Superior.

Ensinança 10: O Superior Guia da Alma

Os Filhos que começam o Caminho, e sobretudo se são jovens que ainda têm que definir-se na vida, não conhecem sua vocação.
O problema vocacional é a grande responsabilidade do Superior. Ele há de observar bem os Filhos que empreendem o caminho espiritual para saber se têm verdadeira vocação e que vocação.
Para que isso seja possível, o Superior fará que eles reconheçam a necessidade de permanecer em uma tranqüila e atenta expectativa, no lugar e na posição em que a Providência os colocou, pois é este o único meio para que a vocação verdadeira se manifeste.
Os jovens se crêem chamados a cumprir uma missão e estes estados internos, em vez de serem verdadeiras vocações, são a predisposição natural da idade, do ambiente e das aspirações individuais. A vocação não se manifesta a não ser paulatinamente. Somente em alguns casos extraordinários, manifesta-se de golpe.
Na maioria das vezes, o chamado vocacional paulatino se manifesta por três graus:
O primeiro é o chamado vocacional do adolescente; é a primeira manifestação ou sentir de reconhecimento da individualidade do ser.
O jovem tem seu nome e sobrenome e conhece o ponto terrestre a que pertence, mas isso é uma experiência completamente exterior, já que, em seguida que a inteligência começa a atuar, começa também a se formular as primeiras perguntas fundamentais: Para que vim ao mundo? Quem sou? Qual é meu verdadeiro nome?
Estas perguntas são a necessidade imperiosa da alma de possuir sua cédula de identidade espiritual.
Quando esta necessidade de identificação se aguça ou se torna crise, produz o inevitável choque do adolescente contra a família, contra os métodos que lhe foram impostos, contra a comunidade social a que pertence.
É uma força que brota no jovem e que o força à identificação com algo que o faça sentir-se independente.
Esta rebeldia, sempre incompreendida pelos mais velhos, esta luta das potências jovens da alma contra as ondas mentais endurecidas dos já formados, tem através da idealização um aspecto vocacional. Brota através da adesão do Filho rebelde a uma idéia ou a uma corrente nova e mal vista pelos velhos conservadores.
Às vezes, esta vocação juvenil não é um ideal, senão um simples gosto que se torna mania e é um modo para que a juventude desgaste suas energias. O baile, as diversões, os passeios, os esportes e até o jogo.
O Superior inteligente verá que há um processo assim em todos os jovens, esta rebeldia vocacional que os prende a algo que eles crêem seu ideal ou seu fim e não modificará este estado da alma de forma radical, senão que habituará a alma a estar ali, quieta, atenta, expectante.
Em seguida, procurará depositar nesta alma um novo centro de atração para que seja neste novo centro onde ela lance agora sua expansão, mas como centro de sua própria conquista e não como cessão dos demais.
É então que se efetua o segundo chamado vocacional, o verdadeiro chamado.
O adolescente, livre das travas de sua personalidade reprimida, dentro de um campo de ação onde se expande e vive de per si, nasce, ou é como se nascesse, à nova vida.
É aqui que sente seu verdadeiro chamado. Tem a plenitude da vida em suas mãos, tem a mente tranqüila e o coração sossegado, sente o que é, sabe o que quer chegar a ser e se pode chegar a realizá-lo.
É um chamado íntimo do ser, um desejo de criação: criar algo como expressão íntima do ser para alcançar a felicidade.
É aqui que o Superior há de levar os Filhos com mão forte para que dentre as fantasias surja a imagem que há de determinar toda a vida integral do jovem. Poderá o jovem depois triunfar ou fracassar, mas este chamado verdadeiro e real será sempre para ele como um norte e ainda se aparentemente fracassar, valer-se-á de seu fracasso para voltar a levantar-se e seguir no caminho da vida.
Quando o Filho sabe o que quer e o que vale, então chegará a seu coração o verdadeiro chamado, o chamado espiritual, o chamado de liberação.
O Superior tem que esperar atentamente esta hora de Deus para levar o Filho com mão firme pela senda unicamente espiritual.
Precipitar este estado no ânimo do Filho ou retardá-lo seria igualmente mau.
É este o chamado vocacional que conduz à verdadeira vida espiritual que se manifesta na alma depois que se reconheceu a si mesma e mediu suas possibilidades ao comprovar a transitoriedade e a banalidade das coisas do mundo.
É esta uma necessidade íntima de chegar à verdadeira expansão, de fazer do espiritual o centro de sua alma desde o qual todas as demais coisas derivam.
Às vezes, este estado íntimo de expansão não pode ser controlado e a alma, se não estiver bem dirigida, pode perder-se em um sonho de irrealidade.
O Superior é aquele que vigia este estado de ânimo, este momento álgido.

Ensinança 11: O Superior Como Diretor Espiritual

Os Filhos que começam um caminho espiritual e não têm um Diretor Espiritual determinado, tomam implicitamente a seu Superior como Diretor Espiritual.
O Superior há de observar os estados físicos do Filho que lhe é confiado. Há de formar seres perfeitos e procurar que no Filho se harmonizem, a vida física com a intelectual e a espiritual.
A alma quer identificar-se com a Divindade, mas o corpo, já que é o templo do Espírito, também há de transformar-se. O corpo não pode ser inimigo do Espírito, sempre em luta e divergente, senão que há de ser um fator de estímulo e ajuda para a transmutação espiritual.
A imperfeição de certas almas e a impossibilidade que manifestam para realizar certas experiências ascéticas é, muitas vezes, nada mais que falta de saúde física.
O Superior como Diretor Espiritual há de conhecer as imperfeições da carne de seus Filhos e há de conhecer também as manchas da alma. Há de estudar se estas são anomalias congênitas, fruto de herança, enfermidades orgânicas e como curá-las para que não sejam estorvo para o adiantamento espiritual. Não há de ater-se unicamente às doenças físicas, mas também às nervosas e anímicas que são tão comuns.
Também o Superior há de estudá-las atentamente, pois, às vezes, estas doenças físicas ou anímicas são um produto do desenvolvimento místico do ser e procurará que os Filhos as suportem com paciência. Conhecerá umas e outras pelo fruto que dão na alma já que a enfermidade cármica que há de ser eliminada impede o adiantamento espiritual, enquanto que a enfermidade mística e dada por Deus para a santificação da alma estimula e favorece a virtude.
Tampouco terão que ver os Superiores nas doenças dos Filhos, se não forem muito graves, um impedimento para que eles sigam no caminho espiritual.
A missão extraordinária dos Superiores é especialmente esta: levar os Filhos, apesar de tudo, à perfeição.
Os defeitos físicos muito graves hão de ser muito considerados e analisados.
Para dizer com clareza, a maioria dos seres jovens tem anomalias congênitas já que atualmente, na maioria dos casos, os que vêm ao mundo pagam o tributo de uma humanidade inculta que não tem conceito real a respeito da santidade do matrimônio e da concepção.
Depois do casamento as paixões sexuais, em lugar de serem atenuadas, são avivadas por uma falta de reta orientação. O matrimônio é uma luta constante de paixões em vez de ser um altar de paz e respeito; é impossível que as baixas paixões proporcionem corpos belos e equilibrados aos seres que vêm morar neles.
As paixões sexuais se transmitem inconscientemente aos Filhos e suas influências ficam sedimentadas ali nos anos da adolescência, transformando-se em um problema e um complexo.
O Superior há de ser, sobretudo, um observador atento. Há de deixar que o Filho fale e se confesse. Através das palavras do Filho encontrará a solução para seus problemas. Conseguir que o Filho fale é aliviá-lo de seus males e preocupações. Há de procurar que o Filho fale sobre sua família e, pelas doenças existentes na mesma, conhecerá as doenças de que poderá padecer.
Em muitos casos, antes de se fazer responsável por uma vocação, também conviria um diagnóstico médico, sobretudo para aqueles Filhos que demonstraram ter uma supersensibilidade nervosa.
Certamente o Superior não realiza em um dia este processo de observação que é fruto de uma análise constante.
Desconfie ele daqueles que sempre têm melancolia, pois isso indica que eles necessitam de um desafogo sentimental, mais do que de uma vocação espiritual.
Não admitam nos Filhos as idéias fixas nem persistentes: como quando dizem que não podem trabalhar, que não podem estudar, ou que estão inibidos para realizar certos atos. Estes são males que, se não forem corrigidos imediatamente, levarão à ruína.
Mas, a análise constante do Superior sobre as almas pode transformá-las e fazer todas elas aptas para a vida espiritual.
A vida espiritual se estriba na vida psíquica e esta na vida fisica; e o Superior que não atende à harmonia do corpo e da alma dos Filhos, nunca poderá conseguir que sejam seres perfeitos.
Quando os Filhos têm um Diretor Espiritual determinado, o Superior tem a obrigação de pôr-se em contato com ele para conhecer o estado de ânimo dos Filhos, ainda que, em termos gerais, sem entrar nos detalhes de confidência, para poder orientá-los e encaminhá-los para seu verdadeiro caminho de realização espiritual.

Ensinança 12: O Trabalho do Orador

A característica da missão de Cafh nas almas é a Ensinança.
Realiza nelas o bem de seu reconhecimento interior, de sua santificação, especialmente entre as almas dos jovens.
Esta realização é um reconhecimento íntimo da alma que ao descobrir sua própria vocação, fá-la participar da plenitude da vida.
Os Oradores hão de ser verdadeiros portadores da Ensinança.
Eles hão de valorizar a graça que levam consigo de serem portadores desses bens supremos.
Cafh faz, então, com que os Filhos participem de sua vida espiritual íntima; mas, o que é para o mundo e ainda para os próprios Filhos vida espiritual?
Há muitas religiões, filosofias, organizações espiritualistas que não passam de conceitos puramente ideológicos quase sempre irrealizáveis, já que não são mais do que uma projeção de seus desejos e aspirações.
A vida espiritual não é ideologia, não é fantasia da mente nem é em si uma projeção de algo íntimo para o exterior, senão que é uma participação, ainda que pequena, mas íntima, essencial, verdadeira da alma com tudo o que existe.
A vida espiritual é a própria vida do homem, é a expressão do ideal que transforma no mundo todo modo de viver.
A alma, posta em contato com a vida espiritual, exige tudo de seu guia, quer suas experiências e as realizações de seu ideal. No entanto, com esta exigência, a alma penetra na alma do Orador e estabelece de per si um canal que faz possível que ele transmita a Ensinança.
O Orador terá que manter vivo e aberto, constantemente, este canal entre ele e o Filho.
O Orador deverá fazer o bem, comunicar sua ensinança, sem importar-lhe o destino da alma e sem especular se ela seguirá ou não seguirá na senda.
Ele deverá mostrar-se, desde um princípio, capaz de comunicar a Ensinança com uma base firme, própria e segura. Este método será a base de toda a vida espiritual futura do Filho.
O Orador acrescentará estes conceitos fundamentais, com um estudo das almas, através de seu contato com elas.
Ele procurará conhecer os complexos psicológicos do Filho que lhe foi confiado.
Não se pode levar uma alma até o céu se antes ela não deixou sua bolsa de pão de pobre, se ela não recobra sua tranqüilidade e sossego interior, se está carregada de complexos de toda índole, psicológicos, fisiológicos, morais ou ancestrais. Pelas perguntas que a alma faz ao Orador este se transformará em investigador atento e, através delas, conhecerá o nível de seu estado interior.
O Orador se apresentará na Ensinança com uma formação cultural adequada sobre as matérias de que vai tratar. Por sua formação cultural, as Ensinanças adquirem o brilho do universal, tomam vida pela descrição dos lugares determinados e pelos exemplos e imagens narradas.
Ele terá sempre à mão, exemplos gráficos e simbólicos para ilustrar a Ensinança e conceitos adequados para responder às almas quando estas o solicitem.
A personalidade do Orador há de ser, antes de qualquer outra coisa, fiel expressão da Ensinança de Cafh, que o coloca nesse estado divino que o faz receptor e transmissor da Ensinança. Mas o Orador, além de se colocar neste estado divino, pode aumentar naturalmente sua personalidade através de sua expressão de renúncia.
Isto do seguinte modo: ter influência sobre as almas sem fazer-se notar; estar sempre presente sem aparecer; saber impor-se sem usar de sua autoridade.
O Orador, ao não se fazer notar, despoja-se de sua formação racial. É como se ele se esquecesse realmente de seu eu para fazer-se unicamente o Orador. Afastado da função social que desempenha no mundo e de suas crenças religiosas, o Orador vive unicamente através da expressão de Cafh.
O Orador, ao não se fazer sentir, deixa na mente e no coração dos Filhos os conceitos fundamentais da Ensinança - que eles irão possuindo, pouco a pouco - deixando que o tempo e o reconhecimento interior dêem seus frutos. Por isso, não usa a pressão sistemática nem a ensinança sempre igual, nem a aplicação de determinados modismos, senão que está sempre ali, ausente de si mesmo e dando-se impessoalmente às almas.
O Orador, ao não se fazer autoridade, fortalece a valoração da autoridade divina, que foi outorgada aos Filhos, e debilita a autoridade terrena até anulá-la. O Orador cede a si mesmo e encontra a autoridade real.
O Orador há de ser paciente e dinâmico, firme e tolerante, bom e justo.
O Orador, com paciência, consegue penetrar na alma, pouco a pouco. Sabe-se, positivamente, que o Filho não abre seu coração de imediato. É necessária a paciência do Orador, que aguarda dia após dia, mas dinamicamente e sem se cansar, até penetrar na alma e possuí-la.
O Orador há de ser firme em seus conceitos e em suas expressões, sem mudanças e sem titubeios. Se ele verter um conceito, há de mantê-lo e sustentá-lo contra toda crítica. Se forçado a entrar em uma análise, inspirado em problemas sobre os quais não tem domínio, deverá valer-se de todos os meios para manter sua posição. A alma sempre deve estar segura de que seu Orador tem o alimento espiritual que ela busca e necessita, e à hora adequada.
Da mesma forma, o Orador há de ser tolerante com os mais lentos e incapazes, e com aqueles que têm falta de adaptação para com a Ensinança.
O Orador há de ser positivamente bom, mas dessa bondade serena e justa que não admite debilidades. Ele há de ceder-se à alma em um conceito de compreensão. Há de levar a ela e a seu coração a luz através, não somente de seu conhecimento, mas do calor de seu sentimento.
A menor palavra dita com amor, adquire um valor infinito aos olhos e ao sentir do Filho que a escuta.
Então a Ensinança se transforma em fonte de vida e de realização espiritual.

Ensinança 13: Exposição da Ensinança

O Orador há de ter uma preocupação constante de que a exposição da Ensinança tenha um resultado eficaz e positivo.
Ele há de se apresentar na Ensinança com os conhecimentos da mesma e com uma idéia exata do que vai expor, e de como vai expor.
É necessário que ele tenha um método determinado e pessoal para que a Ensinança adquira uma força viva e atual. Antes de qualquer outra coisa, o Orador há de conhecer bem o texto da Ensinança. Tem de ter do texto, não só o conhecimento da leitura e do estudo do mesmo, mas o conhecimento profundo do mesmo. Há de saber distinguir claramente quando o texto se refere aos conceitos fundamentais e invariáveis da doutrina de Cafh ou quando expõe conceitos gerais.
Cafh, se bem que não imponha aos Filhos determinadas crenças, além da idéia única, da necessidade indispensável da União da alma com Deus, pela realização interior e pela Renúncia, tem seus conceitos fundamentais e firmes que todos os Filhos acatam invariavelmente, seja por compreensão, seja por adesão.
É indispensável que os Filhos, ainda respeitando e conhecendo as teorias e dogmas de outras filosofias, mantenham-se firmes em sua própria cidadela, como ponto de partida e de apoio.
O Orador há de conhecer muito bem os conceitos fundamentais de Cafh para saber diferenciar entre estes e os outros conceitos generalizados.
Seria ele um mau orador se levasse à Ensinança conceitos adquiridos através da leitura de livros que expõem idéias afins à de Cafh, sem saber distinguir os matizes que os diferenciam da mesma.
Há de saber fazer diferença então entre a doutrina de Cafh e as outras doutrinas, e ter conceitos bem claros e definidos, especialmente sobre os conceitos de eternidade, Divindade, ação e reação, devenir e ascética.
O Orador há de definir os conceitos fundamentais de Cafh em forma continuada, repetidamente, para que se imprimam na memória do Filho. Há de ensinar como extrair da Ensinança, as definições que o texto expõe.
O Orador, em seu discurso sobre os conceitos substanciais da Ensinança, há de ter um método de exposição fiel e rigoroso sem se afastar, no mínimo, da mesma. Mas nos conceitos circunstanciais e derivados da ensinança descritiva há de ter um método todo próprio e original. Sustenta a Ensinança com a base fundamental da doutrina; mas, ele dá tudo o que rodeia a mesma de um modo sempre novo, adaptado à circunstância, à capacidade dos Filhos que a escutam, a seu estado de ânimo e sentimento interior e ainda, influenciando tudo isto com os acontecimentos evolutivos do momento em que os expõe.
O Orador há de procurar que a alma sinta que está se enriquecendo ao receber a Ensinança. Que sinta que um novo valor e uma nova potência moral e conceitual se forma em sua alma pela mesma.
Quanto mais o Orador fizer para fomentar na alma este conceito de um constante enriquecimento, mais obterá nela o afiançamento de sua educação espiritual.
O Orador há de ter na exposição sempre recursos novos e não repeti-los do mesmo modo.

Ensinança 14: Os Bens Intrínsecos de Cafh

Cafh não tem posses extrínsecas; tudo o que é necessário para o sustento e desenvolvimento das Obras de Cafh, só a elas pertence; ainda os próprios atributos e escritos de Ensinanças são pertences privados dos Filhos e não pertencem a Cafh.
Cafh somente possui bens intrínsecos e isto que em si não tem sentido como legislação, tem um sentido efetivo e direto como doutrina, já que, onde não há nada, nada há para ser controlado.
Cafh quer sempre levar os resultados das coisas a um campo ilimitado, quer transformar todas as necessidades e restrições humanas em um resultado divino incalculável.
Cafh ao possuir somente bens intrínsecos, faz com que o Filho baseie seus esforços sobre os bens reais que são somente os bens magnéticos, mentais, anímicos, espirituais imanentes. Ainda como resultado humano, Cafh ao renunciar aos bens extrínsecos pelos bens intrínsecos, põe nas mãos dos Filhos uma incalculável fortuna de bens materiais para oferecer aos homens.
Cafh ensina assim continuamente aos Filhos a transladar os valores adquiridos, imediatos, conhecidos e compostos, a um campo magnético superior onde eles se transformam em valores transmutados, espaciais, desconhecidos, centuplicados, simples.
Ainda as Obras de Cafh que necessitam de bens extrínsecos para seu desenvolvimento, e os possuem dentro do termo comum da lei de propriedade, doutrinariamente não hão de possuir esses bens, e sim usá-los. Isto, enquanto os mesmos representem uma imagem, dentro da sociedade constituída, do ponto magnético local, ao redor do qual se desenvolva a Obra de Cafh. Quando este fator cumpriu seu trabalho em um determinado lugar, pode ser que a Obra de Cafh deixe completamente o uso desse bem nas condições que seus dirigentes creiam necessário.
Então, todas as posses que as Obras de Cafh usam para seu desenvolvimento, têm para elas um sentido de usufruto só enquanto sirvam de ponto de referência para seu desenvolvimento exterior, como ponto de contato entre as almas e Cafh, e para as possibilidades de desenvolvimento exterior de ditas Obras.
Ainda se algum Filho não fosse consciente deste bem e usasse dos bens das Obras de Cafh em um sentido demasiadamente pessoal e com caráter possessivo, isto em nada incidiria sobre o trabalho das Obras de Cafh. Elas estão vitalizadas por Cafh e Cafh é um Corpo Místico dentro do qual o Filho e as Obras de Cafh permanecem; mas que não dá a realização nem ao Filho nem às Obras, já que eles alcançam a realização com seus próprios meios, não através de um ato mágico sacramental, mas através de um ato divino, humano.
Conhecer-se-á se as Obras de Cafh cumprem sua função nesse sentido, pelos resultados; já que as Obras que mantiverem o sentido estrito de unicamente usar os bens multiplicar-se-ão no aspecto estético, dinâmico e expansivo. Seria o contrário se somente tivessem resultados acumulativos, restritivos e burocráticos.
Cafh, ao possuir somente bens intrínsecos, propõe ao mundo a única solução possível para os males econômicos, e esta se baseia sobre a Mensagem da Renúncia.
Os bens que são guardados para a correta distribuição no momento oportuno, são fonte de riqueza para os homens, mas os bens que são acumulados para especulação, são causa de miséria para o mundo.
Ter sentido da Renúncia como bem social não é dar algo, mas transformar em bens intrínsecos e reais, o excedente, transformando tudo em fonte de riqueza futura para si e para todos, com a conseqüente eliminação da pobreza, da infâmia, da mendicidade.
Renunciar aos bens extrínsecos pelos bens intrínsecos é um deslocamento dos valores imediatos no tempo e no espaço a um campo magnético dispositivo e dinâmico. Ainda o homem de negócios sabe que o lucro verdadeiro de uma atividade não é ganhar dinheiro, mas conseguir um cliente.
Não é o sentido de posse a causa da miséria do mundo, senão que o sentido de posse unilateral é o único mal. Além disso, esta doutrina não é para ser explicada, mas para ser vivida.
A aquisição dos bens intrínsecos, no entanto, não é um bem de Renúncia, mas um passo para o estado de Renúncia.
A renúncia aos bens materiais para si dá a posse de bens magnéticos, anímicos, espirituais imanentes e o uso ininterrupto dos bens materiais.
Ainda os bens intrínsecos, em uma etapa de perfeição futura, que já escapa ao alcance do Regulamento de Cafh, deverão ser transmutados em outros bens, bens sobrenaturais, dos quais ainda não se conhece o nome.

Ensinança 15: Tempo Dimensional e Tempo Expansivo

Renunciar é viver.
Renunciar é transcender o tempo dimensional para permanecer expansivamente no tempo em si.
Certamente esta afirmação não tem sentido, senão através da vivência da mesma. Para o Filho, o sentido do tempo é o instante presente que abarca o passado e o futuro, segundo a intensidade expansivo-dinâmica do próprio Filho.
O tempo dimensional traça uma trajetória positivamente real que começa e termina; a alma, identificada com o tempo dimensional, começa e termina. Mas se a alma, pelo ato voluntário da Renúncia permanece em si, não vai nem vem, não começa nem termina; é em si; não está identificada com o tempo dimensional; é o tempo em si.
A Renúncia libera a alma do tempo dimensional intelectualmente. Logo que a alma compreende o ilusório de todas as coisas, sua atitude mental muda o percurso unilateral de suas ondas mentais: simplesmente muda o modo de pensar, não se identifica continuamente com seus pensamentos que são para a alma os trilhos por onde corre o tempo dimensional.
A Renúncia libera a alma do tempo dimensional sensivelmente.
As almas empregam a maior parte de seu tempo em atender suas necessidades vegetativas, instintivas e racionais; a isto chamam ser livres, conhecer-se melhor, fazer o que lhes apraz ou não.
Isto não é mais do que fazer-se escravo do tempo dimensional, determinado pela tirania das muitas personalidades de que está dotada a alma. Pela renúncia, a alma se libera de suas vontades, as quais a mantêm continuamente ocupada em percorrer os múltiplos caminhos secundários por elas traçados.
Pela renúncia, a mente vegetativa, sensitiva, racional, cumpre sua função automaticamente, não pode já interferir na mente superior.
Pela renúncia, a mente fica concentrada em si, egoentemente, fora do tempo dimensional, na posse do tempo em si. Não muda seu sentir, mas, seu sentir único se expande cada vez mais, continuamente.
A renúncia libera a alma do tempo dimensional finalmente, pela permanência da alma no êxtase do tempo em si, União Substancial com a Divina Mãe.
Os Filhos realizam a renúncia em si pela ascética mística da Renúncia, através dos votos, da Ensinança e do cumprimento do Regulamento e das normas estabelecidas.
O primeiro ato ascético de Renúncia que o Filho realiza é o juramento e o Voto de Renúncia que o limita dentro do Raio de Estabilidade de sua Távola e de sua alma. A primeira Ensinança que recebe é a de calar e escutar a voz dos Mestres que o detém e mantém firme em uma atitude expectante. A primeira norma que lhe é dada é um método para a vida diária que o ata ao tempo. Neste sentido, nesse primeiro ato ascético - atar-se ao tempo para liberar-se do tempo - está o segredo do êxito no caminho ascético-místico da Renúncia.
Vence-se o tempo dimensional, identificando-se com ele, não dependentemente, mas transformando-o em si. Absorvendo o tempo, apagam-se as linhas muito tensas ou muito frouxas da dimensão e, por intensidade de vivência, o instante fugaz se transmuta na hora eterna; o tempo dimensional se transfigura no tempo expansivo, incomensurável.

Ensinança 16: Transmissão da Mensagem da Renúncia

A Mensagem da Renúncia se transmite no silêncio.
O silêncio encerra o Filho no Raio de Estabilidade, ajusta-o como um relógio à rotina da vida e o adapta, por rigidez exterior e imobilidade interior, ao ritmo automático da existência. A permanência adentra o Filho em seu próprio coração até que descobre ali o Coração Celeste da Divina Mãe e sua presença se faz Presença.
Desde seu coração egoente, a presença do Filho adquire proporções imensas, incomensuráveis; é a responsabilidade da presença, é a expansão da presença, é a presença de todas as presenças.
O Filho, por presença, conhece e ensina a Mensagem da Renúncia a todas as almas, pondo-se em contato com todas elas, conhecendo os problemas de cada uma delas.
A Mensagem da Renúncia se transmite às almas com a fidelidade.
A fidelidade dá ao Filho a resistência flexível e elástica que lhe permite dilatar-se até o infinito. O Filho, pela fidelidade, que é a prática constante e ininterrupta da Ascética de Cafh, submete-se ao Regulamento, cruza as diversas categorias das Távolas e dos votos, experimenta as diversas facetas e altos e baixos da experiência espiritual sem alterar-se, pacientemente, praticando e perseverando no cumprimento das virtudes negativas e de todos os deveres interiores e exteriores da vida espiritual, destrói seus corpos e personalidades e constrói seu Corpo de Fogo.
O Filho, por sua resistência sobre-humana de fidelidade, faz-se participante. O Filho participa de todas as deficiências, de todas as necessidades, de todas as alegrias e males das almas do mundo, ainda participa do estado de maior ou menor plenitude das almas que foram ou serão.
O Filho, por participação, pratica e faz todas as almas praticarem a Mensagem da Renúncia, expandindo-se dentro de todos os campos, de todos os tempos e de todas as coisas.
A Mensagem da Renúncia se transmite obedecendo.
O Filho, obedecendo, pulsa seu centro de vazio e se libera da escravidão de suas múltiplas personalidades.
A obediência faz o Filho dependente de seus deveres, de seus Superiores; o Filho, ao responder a uma só diretiva, adquire o hábito continuado de controlar e conhecer suas múltiplas personalidades e de permanecer no conhecimento da essência de si, do próprio centro de vazio.
A obediência estabelece um plano de harmonia entre o ser do Filho e suas múltiplas personalidades. O ser é o pai e as personalidades, os filhos, que atuam de comum acordo.
A obediência faz com que o Filho atue contínua e conscientemente de acordo com seu próprio ser; as múltiplas personalidades estão absorvidas nele; atuam por sua iniciativa, quase sem se fazer notar; o amante e o amado são uma só coisa. O Filho suprime, por obediência, as teorias que impedem de conhecer o referente ao segredo do absoluto e do relativo, e outorga o conhecimento da dupla lei do ser e do não ser, unindo as duas pontas do fio reversivelmente em uma só verdade.
O Filho, obedecendo, vive a Mensagem da Renúncia e dá vida de renúncia a todas as almas.
A Mensagem de Renúncia se transmite oferendando-se, imolando-se, consumando-se.
O Filho que vive em União Substancial com a Divina Mãe não pode transcender na total plenitude, se com ele não transcenderem todas as almas.
O Filho vive divinamente, mas oferendando-se para a redenção de todas as almas. O amor das almas não redimidas o consome, sua vida é um holocausto para conseguir a liberação de todas as almas.
Mais perfeição é dar perfeição.
O Filho é a Mensagem da Renúncia em todas as almas.
A Mensagem de Renúncia se transmite por perpetuidade até o final dos tempos.
O Filho não é deste mundo, sua vida de Renúncia é toda de união, é toda divina; divinamente unido no Coração Celeste da Divina Mãe, com todas as almas.
O Filho não transcenderá até que as almas às quais se votou, até que todas as almas, não estejam liberadas.
O Filho é, em si e nas almas, o testemunho simples da Mensagem da Renúncia.

INDICE:

Ensinança 1: A Mensagem da Renúncia
Ensinança 2: Este é o Regulamento
Ensinança 3: Reunião de Almas
Ensinança 4: O Corpo Místico
Ensinança 5: O Amor nos Votos
Ensinança 6: A Lei da Renúncia
Ensinança 7: A Religião Universal
Ensinança 8: A Fé
Ensinança 9: O Superior Frente à Alma
Ensinança 10: O Superior Guia da Alma
Ensinança 11: O Superior Como Diretor Espiritual
Ensinança 12: O Trabalho do Orador
Ensinança 13: Exposição da Ensinança
Ensinança 14: Os Bens Intrínsecos de Cafh
Ensinança 15: Tempo Dimensional e Tempo Expansivo
Ensinança 16: Transmissão da Mensagem da Renúncia

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